quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Mau Ambiente

Mau Ambiente

Na Praia dos Alguidares, tudo estava mal. A força do mar arrastava os banhistas para longe, os bandos de gaivotas voavam com as asas fechadas, as amêijoas cuspiam água choca para cima das crianças e o sol, ao fim da tarde, assim que tocava no horizonte, fazia ferver a água e cozia os peixes que por ali andavam.

Um dia, a Mimi, o Toni e a Vivi passeavam à beira-mar e avistaram uma tartaruga virada de barriga para cima, a espernear que nem uma louca. As crianças aproximaram-se e perguntaram:

— Olhe, senhora tartaruga, precisa de ajuda? Quer que a viremos?

Mas a tartaruga era muda e as perguntas faziam com que ela esperneasse ainda mais. Sem esperar por uma resposta, os três amigos tentaram virá-la ao contrário, mas não resultou. O bicho era muito pesado: pesava trezentos quilos… ou até mais, não sei.

Então, do fundo das areias, surgiu um caranguejo dourado que lhes propôs uma solução para aquele problema:

— Olá, meninos. Sou o Espírito da Natureza. Deem-me o que vos for mais precioso e eu salvarei a tartaruga.

Não era fácil saber o que lhes era mais valioso, pois nunca tinham pensado nisso. A Mimi retirou do pulso o relógio e entregou o seu tempo. O Toni tirou do bolso o seu canivete suíço e deu a sua habilidade. A Vivi arrancou do peito o seu coração e, com ele, deixou ali a sua generosidade.

O caranguejo deu-se por satisfeito e, antes de desaparecer na areia, ainda disse:

— Adeus, meninos. Deram-me o que vos era mais precioso. A tartaruga será salva.

Para alegria de todos, a tartaruga voltou a tocar com a barriga no chão e, como sinal de agradecimento, serviu chá e bolinhos às crianças.

Desde então, o mar deixou de puxar os banhistas, as gaivotas passaram a voar de asas abertas e o sol deixou de ferver a água.


  

Contributos: Catleya Lopes, Gabriel Ferreira, Viviana Marques, Maria Inês Gomes, Letícia Feliciano e Vitória de Paula, Ariana Rodrigues, Miriam Martins

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