Mau Ambiente
Na Praia dos Alguidares, tudo estava mal. A força do
mar arrastava os banhistas para longe, os bandos de gaivotas voavam com as asas
fechadas, as amêijoas cuspiam água choca para cima das crianças e o sol, ao fim
da tarde, assim que tocava no horizonte, fazia ferver a água e cozia os peixes
que por ali andavam.
Um dia, a Mimi, o Toni e a Vivi passeavam à beira-mar
e avistaram uma tartaruga virada de barriga para cima, a espernear que nem uma
louca. As crianças aproximaram-se e perguntaram:
— Olhe, senhora tartaruga, precisa de ajuda? Quer que
a viremos?
Mas a tartaruga era muda e as perguntas faziam com que
ela esperneasse ainda mais. Sem esperar por uma resposta, os três amigos
tentaram virá-la ao contrário, mas não resultou. O bicho era muito pesado:
pesava trezentos quilos… ou até mais, não sei.
Então, do fundo das areias, surgiu um caranguejo
dourado que lhes propôs uma solução para aquele problema:
— Olá, meninos. Sou o Espírito da Natureza. Deem-me o
que vos for mais precioso e eu salvarei a tartaruga.
Não era fácil saber o que lhes era mais valioso, pois
nunca tinham pensado nisso. A Mimi retirou do pulso o relógio e entregou o seu
tempo. O Toni tirou do bolso o seu canivete suíço e deu a sua habilidade. A
Vivi arrancou do peito o seu coração e, com ele, deixou ali a sua generosidade.
O caranguejo deu-se por satisfeito e, antes de
desaparecer na areia, ainda disse:
— Adeus, meninos. Deram-me o que vos era mais
precioso. A tartaruga será salva.
Para alegria de todos, a tartaruga voltou a tocar com
a barriga no chão e, como sinal de agradecimento, serviu chá e bolinhos às
crianças.
Desde então, o mar deixou de puxar os banhistas, as
gaivotas passaram a voar de asas abertas e o sol deixou de ferver a água.
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